Metodologia
Tudo o que o painel exibe é fato estatístico medido — esta página documenta como cada número nasce, com que dados foi calibrado e quais são os seus limites.
O ciclo de vida de um sinal
Um sinal nasce quando um par cointegrado aprovado na varredura diária apresenta |z-score| ≥ 2,0. A partir daí, os parâmetros da regressão são congelados e o sinal é acompanhado pregão a pregão até um de três desfechos:
- Revertido — o |z| retornou a 0,5 dentro do horizonte de medição (2× a meia-vida, máximo de 40 pregões);
- Invalidado — o |z| atingiu 3,5. Sinais cuja excursão alcançou esse nível reverteram em 8,6% dos casos dentro do horizonte (12 de 139; intervalo de confiança de 95%: 5,0% a 14,5%), medido sobre o backtest validado do motor v2;
- Expirado — o horizonte terminou sem reversão nem invalidação; os dados do ativo ficaram indisponíveis; ou o sinal foi encerrado por reconciliação, quando o mesmo par já tinha sinal aberto na direção oposta (A×B e B×A são a mesma relação).
O congelamento garante que o desfecho medido é o mesmo que um observador teria registrado em tempo real — sem olhar para o futuro, sem recalibrar no meio do caminho.
Histórico por par
O histórico de cada par agrega os sinais já encerrados: quantos ocorreram, quantos reverteram e em quanto tempo. A taxa vem sempre acompanhada do intervalo de confiança de Wilson (95%) e do tamanho da amostra. Pares com menos de 5 sinais são rotulados como amostra pequena — sem valor conclusivo e nunca recebem destaque por taxa.
Quais sinais geram alerta
Nem todo sinal vira notificação. A regra vigente é uma só, e o motivo é mecânico: o nível de invalidação é fixo em |z| = 3,5, então uma entrada em |z| = 2,0 tem 1,5 desvio de folga até lá, enquanto uma entrada em |z| = 3,0 tem apenas 0,5. Não é que o par fundo reverta menos — é que o sinal é marcado como invalidado antes de a reversão acontecer.
Gera alerta: |z| de entrada abaixo de 2,5, sem outro sinal aberto do mesmo par e sem outro alerta com o mesmo ativo no pregão. Sinais fora disso continuam sendo calculados, acompanhados e visíveis no painel — apenas não geram notificação, e o motivo aparece no detalhe do par.
O que saiu da pontuação (e por quê)
A versão anterior atribuía pontos a quatro fatores. Medidos um a um nas duas coortes, nenhum se sustentou — a pontuação inteira não separava melhor que uma moeda na coorte de calibração. Em vez de ajustar pesos, removemos:
| Fator removido | Lift no backtest | Medição que motivou a remoção |
|---|---|---|
| Confirmação de Johansen | +3,0 p.p. | intervalo de confiança cruzando zero no backtest; na produção o lift é maior, mas com intervalos sobrepostos e amostra de poucas dezenas — não distingue em nenhuma das duas |
| Recorrência do par | +9,1 p.p. | direção consistente nas duas coortes, intervalos amplamente sobrepostos nas duas — amostra insuficiente para sustentar peso |
| Meia-vida entre 3 e 15 pregões | −10,6 p.p. | efeito NEGATIVO nas duas coortes — o fator somava pontos para o grupo que reverte menos — e disparava em 92,4% dos sinais do backtest |
| Profundidade do |z| como pontuação | +3,6 p.p. | efeito real, mas mecânico (folga até o nível de invalidação) — virou regra de elegibilidade em vez de peso |
Calibração 2026-08-07 · lifts medidos sobre o backtest congelado de 304 sinais encerrados (25 safras semanais, sem lookahead). A coorte de produção é remedida a cada recalibração — a última foi em 07/08/2026, e nenhum fator se sustentou nela tampouco. Não publicamos o decimal da produção aqui porque essa base cresce a cada pregão e o número ficaria desatualizado em dias; o acompanhamento que vale é a comparação contínua entre sinais alertados e suprimidos. A confirmação de Johansen continua exibida como informação no detalhe do par, sem peso na decisão.
Custos e execução: o que medimos
Em 06/08/2026 medimos o resultado financeiro dos sinais com custos explícitos: 0,10% por perna a cada lado (corretagem, emolumentos e deslize) mais 3% ao ano de aluguel sobre a perna vendida — fricção total de aproximadamente 0,49% por operação.
O cenário que publicamos é o realista: ordem executada no pregão seguinte ao sinal, porque o processamento termina após o fechamento. Executar um dia depois custa cerca de 0,25 ponto percentual por operação no conjunto completo e cerca de 1,1 ponto percentual na coorte de produção — e é o cenário D+1 que o assinante enfrenta.
O que o sinal cru mede, com custos: −0,54% por operação no cenário D+1 (n=275; −0,28% se a execução fosse no fechamento do próprio dia, n=276). Na coorte de produção isoladamente — a que corresponde ao que o assinante recebe — o número é −2,01% por operação (n=41); dimensionando a posição pela exposição das duas pernas, como a calculadora passou a fazer, o mesmo conjunto mede −0,62%. Ou seja: o retorno bruto do conjunto de sinais, cerca de +0,21% por operação, não paga a fricção de ~0,49%. Por isso a plataforma não promete resultado: ela publica o fato estatístico e a regra que restringe quais sinais geram alerta. A regra remove um dos grupos de pior desempenho medido (|z| ≥ 2,5 sem confirmação de Johansen: −1,84% por operação, n=99), e entre os pares com Johansen confirmado os de |z| < 2,5 mediram +0,60% contra −0,25% dos de |z| ≥ 2,5. Ela não remove os dois piores grupos do estudo — meia-vida ≥ 10 pregões (−3,05%/op) e |beta| > 2,5 (−6,17%/op) —, porque nenhum dos dois se sustentou como critério de supressão nas duas coortes; o segundo virou o rótulo de exposição da calculadora. O desempenho do conjunto exato que a regra mantém não foi medido isoladamente — é a comparação entre alertados e suprimidos, em acumulação, que vai responder isso com dados próprios.
O alerta em dois tempos
O alerta oficial nasce do ciclo noturno, calculado sobre o dado oficial da B3 — e por isso só chega depois do fechamento, obrigando a execução no pregão seguinte. Esse atraso tem custo medido: ~0,25 ponto percentual por operação no conjunto completo e ~1,1 na coorte de produção (medição de 06/08/2026, cenário D+1 × fechamento). Para atacar esse custo existe a prévia: às 16h35 o sistema recalcula o z-score dos pares aprovados na última varredura usando os mesmos parâmetros congelados e um preço parcial de mercado (atraso mediano de ~15 minutos e pior caso de ~26 em ilíquidos, medidos em pregão aberto em 10/08/2026 — a mensagem carrega o horário real do preço).
O preço da prévia não é o dado canônico (o canônico segue sendo o arquivo oficial da B3, processado à noite) e o z parcial pode divergir do z de fechamento por três razões estruturais: o preço ainda se move nos ~40 minutos finais (35 de negociação contínua mais o leilão de fechamento), proventos com ex-data no próprio dia deslocam o resíduo sem correção possível à tarde, e a varredura noturna re-estima os parâmetros. Por isso a prévia nasce em modo sombra: registra o que teria alertado e confere contra o fechamento, sem enviar nada.
Na última execução registrada (04/09/2026): em validação, modo sombra — nenhuma mensagem de prévia foi enviada. O envio só será ativado se, com pelo menos 20 candidatos comparados e 10 pregões executados, a concordância prévia × fechamento atingir 90% — e com no mínimo 30 dias corridos de operação. Medição até agora: 18/81 confirmados (22%; IC 95%: 15%–32%), 19 pregão(ões).
Limites que você deve conhecer
- Reversão estatística não é resultado financeiro. Medimos os custos (acima), mas não simulamos liquidez, tamanho de ordem nem disponibilidade de aluguel para o seu caso concreto.
- Nenhum achado deste estudo sobrevive a uma correção formal por múltiplas comparações (~131 comparações testadas). A regra vigente se apoia em remoção do que não se sustentou e em um mecanismo compreendido, não em significância estatística — e isso está dito aqui de propósito.
- Com 6 meses de histórico, a amostra por par é pequena — os intervalos de confiança são largos de propósito, e o painel os mostra sempre.
- A regra qualifica a estatística do sinal, nunca uma decisão: taxas históricas não garantem comportamento futuro.
- A regra tem critério de revisão: acompanhamos continuamente o desempenho dos sinais alertados contra o dos suprimidos. Se os suprimidos igualarem ou superarem os alertados com amostra suficiente, a regra é revista.